Não, o rolê não foi o mais roots, o mais low cost e nem o mais completo de todos, mas foi o que nos propomos a fazer dentro do nosso orçamento e considerando que somos duas mulheres, e não marmanjos, viajando por aí em um país não tão bacana para viajantes mulheres (se eu falar machista, posso assustar alguns rs).
Como cheguei lá
Fui com uma amiga de avião da Gol, do Aeroporto internacional de Guarulhos (São Paulo) para o Aeroporto Internacional de Manaus - Eduardo Gomes. Eu ganhei de férias as datas mais merdas que tinha: a última semana de dezembro e a primeira de janeiro. De quebra, tive menos de um mês pra comprar, por isso que meu vôo não saiu muito barato. O vôo para Manaus não é lá dos mais baratos, mas se planejar com antecedência e criar um alerta maroto no Google Flights, dá pra conseguir uns bons preços.
Pacotes, hospedagem e segurança
Antes da viagem, já fechei com a agência alguns pacotes, para negociar um preço melhor. Depois de pesquisar no TripAdvisor, acabei fechando com a Iguana Turismo o pacote Iguana e o passeio de um dia. Conseguimos um bom desconto e só precisamos pagar em dinheiro à vista quando chegamos. A gente tinha mandado um e-mail para a agência, mas ninguém respondeu. No fim, criei um grupo no whats e combinamos tudo por Whatsapp com o Wilson, gerente da agência. Ele que foi super atencioso, mesmo eu enchendo o saco dele domingo a noite por estar desesperada para fechar logo tudo hahahaha, tadinho. O número é meio complicado de achar no site: tem que colocar o mouse sobre o ícone com a imagem de um celular e deixar lá até aparecer o número numa caixinha de texto. O problema é que só aparece às vezes.
O combinado com a Iguana Turismo incluiu um transfer do aeroporto até o hostel, o transfer até os locais de encontro inicial de cada pacote e também as reservas do hostel. Tínhamos decidido que ficaríamos no Local Hostel Manaus, por ter boas avaliações e ser bem localizado - a um quarteirão do Teatro Amazonas. Ok, não era tão seguro assim - o pessoal da região falou para evitar ficar andando na região de noite nas ruas mais afastadas, porque estava assaltando muito, especialmente por ser fim de ano. Aliás, conhecemos um mochileiro que foi assaltado, numa rua próxima à praça do teatro, e uma mochileira teve o celular roubado (e inclusive apalparam ela inteira pra ver se não tinha nenhuma doleira escondida) no meio da tarde em um porto próximo dali, o Porto de Manaus. A gente não teve problemas, mas também não bobeamos. A situação ficou tensa durante a viagem porque teve o massacre e a fuga em massa de detentos do Complexo Penitenciária Anísio Jobim (Compaj), que vou explicar com mais detalhes mais para frente, mas foi algo excepcional, né.
Sobre o hostel em si, o local é muito agradável e bem limpinho. Como toda boa turista que quer ganhar pontos no Tripadvisor e trocar por milhas, tirei fotíneas de tudo (ok, quase tudo porque deu preguiça). Só clicar nas fotos para expandirem:




Não era o hostel mais barato de todos, mas tinha um bom custo benefício e o Wilson do Iguana Turismo deu um desconto na reserva (na verdade, esqueceu. Atencioso, quis nos reembolsar, mas deixei pra lá porque o valor era baixo). O banheiro era maravilhosamente limpo e novinho, mas tinha muito pernilongo. Foi o local que mais levei picada durante a viagem inteira!
Os quartos tinham um cheiro meio forte e esquisito por conta da madeira das beliches, mas nada que fosse incômodo demais. Tive uns probleminhas no hostel, mas a equipe do hostel foi extremamente fofa e tentou ajudar da melhor forma possível. Por exemplo, na minha primeira noite, a fronha estava úmida porque tinha quebrado a máquina de lavar. Só não pedi pra trocar porque capotei. Tinha também uma senhora que de longe ganha de pior ronco de toda a minha experiência em hostels, mas como não tinha como trocar de quarto, o cara super parça da recepção (que infelizmente esqueci o nome) me deu plugs de ouvido.
Nos meus últimos dias, descobri que resgataram uns gatíneos que foram abandonados na porta do hostel. Espero que tenham sido todos adotados!
Mala
Mano, NÃO DEIXE PRA LAVAR ROUPA LÁ. Serião. Eu me achei a espertona levando pouca roupa em uma malinha de mão de rodas e uma mochila pra sobrar espaço pra trazer souvenirs (ou melhor, comida) de volta, mas acabou nem valendo tanto a pena. Nem rolou de lavar à mão porque não secava nuuunca. Lá é tão úmido que só seca no sol (e demora, a não ser que coloque direto sob sol de meio dia que seca qualquer coisa em uma hora, o que só tive sorte de pegar uma vez). Como minhas roupas limpas acabaram no meio da viagem, acabei tendo que pagar uns 25 reais para lavar e secar no hostel.
O que levar? Cara, eu levo até kit básico de primeiros socorros, mas basicamente é bom levar roupas leves e soltinhas (é tão úmido que fica tudo grudento), um par de tênis, um casaco leve e uma calça de tecido mais grossinho pros mosquitos não picarem por cima nas trilhas, muito repelente e protetor solar. Vou acrescentar uma listinha no final do post pra referência.
Vacinas, repelentes, remédios
Não é obrigatório, mas é recomendável tomar vacina contra febre amarela, além de ter as demais vacinas em dia. Em São Paulo, tem dois centros que aplicam de graça vacinas com foco em viajantes:
Ambulatório dos Viajantes - Hospital das Clínicas
Endereço: Rua Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 155 – Prédio dos Ambulatórios - 4º Andar – Sala 8
Telefone: 11. 2661-6392
Medicina do Viajante - Hospital Emílio Ribas (link do site)
Horário de Atendimento: 3ª a 5ª feiras das 8h às 17h; 6ª feiras das 8 às 11:00
Endereço: Av. Doutor Arnaldo, 165 - 01246-900 - São Paulo - SP
Telefone: (11) 3896-1200
Eu levei um repelente comum e também o Exposis. Os repelentes que costumam vender na farmácia não tem mais do que 10% ou 15% de Icaridina, DEET e IR3535, o que diminui o tempo de eficácia do produto. Enquanto o repelente comum parecia atrair mais ainda os mosquitos, o Exposis, que tem 20% de Icaridina e é caríssimo, valeu o investimento de sofridos R$ 60,00.
Também levei remédio para diarréia (para ajudar a repor sais minerais perdidos), remédio para dor muscular e dor de cabeça, o básico. Fui morrendo de medo de pegar dengue, chikunguya, zika, malária, etc., mas sou sortuda pra caramba e não tive nada, apesar de vários relatos de amigos que tiveram piriri (diarréia) durante a viagem a Manaus.
Mesmo assim, tomei vermífugo quando voltei para prevenção, já que me expus a situação de risco. Fico chocada como os gringos não se preocupam muito com isso, mas acho bom avisar que boa parte do norte do país, incluindo Manaus, tem péssimo saneamento básico. Durante o passeio no Rio Juma, a água que tomamos no acampamento era de poço artesiano. O guia nem se comoveu com minha cara de morte interna e disse que não dava ruim. Obviamente não ia rolar de eu cortar mais um monte de madeira só para ferver a água e também não ia rolar de ficar comprando água engarrafada porque esgotou na pousada e eu não ia gastar dinheiro com isso, até porque é possível a contaminação, por exemplo, pelos alimentos, se não houver higiene adequada no seu preparo. O vermífugo foi bem barato e simples de tomar, sem nenhum efeito colateral. Aliás, acabei descobrindo pelo meu médico que é bom tomar vermífugo uma vez ao ano!
Acho que ajuda levar algo que filtre a água, como o LifeStraw (quem sabe eu ganho um com essa propaganda gratuita rs).
Dia 1 - Chegada
Chegamos por volta das 14h em Manaus e um senhor, da agência de turismo, nos buscou com a filha dele. O senhor é um português muito simpático que é apaixonado por Manaus.
Chegamos ao hostel e deixamos as malas. Tivemos o incrível azar de ter previsão de chuva durante todo o dia. Como não tinha muito o que fazer quando chove, minha amiga que mora em Manaus nos buscou de carro e nos levou para conhecer o Manauara Shopping, que tem um pedacinho da Floresta Amazônica dentro dele. É um shopping muito bonito, mas infelizmente soube que a sua construção foi acompanhado de polêmicas, pois prejudicou a fauna e flora específica daquela reserva, de acordo com minha amiga. A explicação do guia do MUSA ajuda a entender isso: existem variações de espécies exclusivas de áreas específicas da Floresta Amazônica, que na maioria das vezes são extintas quando o trecho em que se situam é desmatado.
Lá no shopping, comemos no Caboquinho. Além de não custar caro (pros padrões de São Paulo), a comida estava sensacional! Foi lá que comecei a minha missão de testar todos os guaranás da região que não tem em SP.
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